domingo, 28 de maio de 2017

Então, vi o Peter Doherty.

Tô há muito tempo tentando decidir como começar esse post. Não queria fazer um apanhado de informações sobre a vida/carreira do Peter, e nem deixar os sentimentos tomarem conta do que eu escrevo - então vou tentar ser sucinta, mas explicar as razões pelas quais estou tão, ainda que relutante, interessada em colocar isso pra fora.

Acompanhei o The Libertines mais ou menos desde o lançamento do Up the Bracket, isso em idos de 2002/2003, e do jeito que a gente tinha sem internet: pela MTV e por revistas. Uma coisa que nunca me esqueço foi, em uma review do álbum deles em uma revista, a frase "uma banda que faz o rock ainda valer a pena".



E desde me interessar pelo Libs, por uma razão ou outra o Peter foi quem sempre me chamou mais a atenção, seja pela presença de palco, pelas letras em si, ou por essa vida dupla, aberta, problemática e sem floreios, que o transformaram pra mim e pra muita gente em um catalisador de angústias. Então, pra mim, a progressão natural depois de o fim do Libertines foi seguir a carreira dele: com o Babyshambles (e um dos meus álbuns preferidos do mundo, o Down in Albion), e depois a carreira solo.

Logo após o lançamento do primeiro cd dele, o Grace/Wastelands, foi marcado um show aqui em SP, que me empolgou demais - seria bem perto do meu aniversário! - mas foi cancelado. E mais muita coisa rolou desde então - o Babyshambles gravou mais cd, o Libertines voltou, gravou cd, fez show - aqui no Brasil, inclusive, e me culpo muito ainda por não ter conseguido ir -, o Peter lançou mais um cd sozinho... e chegamos a essa turnê atual, e no show marcado há alguns meses, que já me deu várias dores de cabeça por ser marcado em uma QUARTA-FEIRA. As pessoa trabalha. Mas tá, consegui a folga, e fui.

E disse que ia ser sucinta. Desculpa.



A primeira coisa que me chamou a atenção quando entrei no Cine Joia foi como o lugar estava vazio - ainda faltava 1h30 pro horário marcado, mas das outras vezes que assisti a shows lá (um do Criolo e dois do City & Colour), mesmo sempre entrando cedo o fluxo de gente nunca parava, mas me estranhou ver tão pouca gente, não ter nem pego fila pra entrar, e ter ficado a três cabeças do palco. A seleção do dj antes do show foi bem indiezinha, pra felicidade da nação (mas eu sigo peixe fora d'água em qualquer estilo muito específico). E, depois de umas spoken word e gracinhas do Jack Jones (guitarrista que está com o Peter desde o Babyshambles), já com a casa bem mais cheia - mas com quase trinta minutos de atraso, o show finalmente começou.

A primeira música foi o primeiro single do álbum Hamburg Demonstrations, último álbum solo dele, I Don't Love Anyone (But You're Not Just Anyone). E, depois de tantos anos, finalmente ver Peter Doherty no palco não podia ser mais agridoce: ele estava lá, de carne, osso... e álcool. Chegou ao palco já cambaleando, e, por mais feliz que estivesse de estar na presença de um dos meus artistas favoritos, que acompanho há tantos anos, não consegui deixar de me sentir mais preocupada com o estado dele do que empolgada de o show ter começado.

Logo veio o primeiro single da carreira solo dele, Last of the English Roses, que empolgou um pouco mais a galera, por ser ainda mais conhecida, mas o estado dele... era deprimente. Assim como Last..., as músicas que mais empolgaram o público foram as mais antigas, tanto do Libs quanto do Babyshambles. Um dos momentos mais marcantes pra mim foi nesse comecinho de show, quando ele cantou You're My Waterloo, uma das minhas preferidas também, que foi quase que toda cantada a plenos pulmões pelo público. A música é tão bonita quanto triste, e foi uma das que mais me fez pensar sobre o estado dele e estar ali.



Novamente, as músicas que mais fizeram todo mundo cantar junto foram as mais antigas, então os pontos altos não deixaram de ser What Katie Did?, do Libertines (onde minhas primeiras lágrimas correram haha), e Albion, do Babyshambles, mas mais do Peter em si. O problema é que, enquanto a gente tava empolgado e ouvindo aquelas coisas, parecia que a qualquer momento ele não ia aguentar mais se segurar de pé e ia simplesmente embora. Quando ele foi pro intervalo alguém comentou atrás de mim "ele sorri, mas é meio triste, né?"

Mais meia hora de intervalo, e eu preocupada com a hora - afinal, metrô, e ter que ir trabalhar no outro dia - mas ele voltou, e me surpreendeu com Killamangiro, do Babyshambles, minha música preferida de todas dele fora do Libertines e que não tem sido em todos os shows que ela é tocada. DEI VÁRIOS GRITOS, chorei mais um monte haha, fiz um videozinho, e decidi realmente ir embora depois dessa - faltava uns 5 minutos pra meia noite. Aí ele começou a tocar Fuck Forever, fiquei pra ver mas já perto da porta, e... virou uma putaria generalizada: ele se jogou no povo, subiu um monte de gente no palco, enfim, foi um pandemônio, mas me fez dar algumas risadas, e enfim ir embora.

No final das contas, por mais que eu estivesse satisfeita de finalmente ter tido a oportunidade de ver o Peter ao vivo, muito disso me foi tirado por ele estar no estado em que o vi. Não é a sensação de ter estragado o show ou algo assim, é muito mais uma preocupação com a vida dele do que qualquer outra coisa. Foi válido, mas foi triste. E estou tentando me focar em torcer - sempre - pela recuperação dele.



1 comentários:

  1. Linos, não acredito nisso! Faz umas 3 semanas inventei de ouvir Libertines, depois de PELO MENOS 5 ANOS que não ouvia! Estava com What Katie Did? na cabeça e coloquei pra ouvir umas poucas que eu gostava, e fiquei pensando pq diabos nunca mais ouvi ninguém comentar dessa banda, que era tão famosinha na época né? Que bom que gostou do show, apesar de tudo. ♥

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